Rafinha e a 7ª Arte

Cinema, Livros, Séries, Imaginação Louca!

Ryu Murakami 19/11/2012

Filed under: Livros — Ninixe @ 19:51
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Até há poucos dias atrás, eu era uma pessoa inocente e achava que seria difícil desiludir-me ao ler um livro. Pois, como devem imaginar, enganei-me.

Eu gosto de histórias, eu gosto sobretudo de ler histórias. Eu sou daquelas pessoas que perde horas a navegar na wikipedia a ler resumos de livros, de filmes, biografias, e por aí adiante. E, apesar de ter as minhas preferências algo peculiares no que toca à literatura, de vez em quando lá vou arriscando e saindo da minha zona de conforto e lendo resumos e sinopses de diferentes estilos.

Posto isto, após ter lido o resumo do filme Audition e ter lido o Na Sopa de Miso, pensava eu que tinha encontrado um novo guru literário do thriller e do terror mas enganei-me. Enganei-me forte e feio.

Aqui já tinha dito que o livro Audition não me fazia vibrar e que me estava a custar acabar de o ler. Pois bem, a muito custo lá o fiz e, apesar de não ter sido uma desilusão, também não foi nada de extraordinário. Acho que a descrição do filme que está na wiki nos consegue cativar mais do que o livro em si. Tem alguns momentos mais intensos mas confesso que estava à espera de mais – muito mais!

Não obstante desta pequena desilusão, e porque toda a gente tem direito a ter dias (e obras) menos brilhantes, aventurei-me a ler o Piercing e foi aqui que tudo desmoronou.

A sinopse do Piercing tem a sua piada e pronto, ficamos por aqui. O livro tem uma narrativa diferente da que estamos habituados pois apresenta-nos várias perspectivas: ora temos direito a um narrador, ora estamos a ler a história do ponto de vista das personagens principais! Isto até funcionaria se não fossem as imensas divagações que para ali andam. Ele são os traumas dele, ele são os traumas dela, aquilo é muito trauma e problema junto em espirais de pensamentos sem fim que chegam exactamente a lado nenhum.

Mas o meu principal problema até nem foram estas divagações excessivas. O meu principal problema e a maior desilusão que tive com este livro foi o facto do mesmo não ter fim. Pura e simplesmente não acaba. Andamos ali a marinar, pensamentos para a esquerda, divagações para a direita e não se chega a conclusão nenhuma. Não há nenhum trauma que fique resolvido, não há nenhum segredo descoberto, não há nenhuma epifania, não há mortos, não há nada!

Quando cheguei ao capítulo final e vi que apenas me faltavam 4 ou 5 folhas para acabar o livro comecei a entrar em pânico: como raios ia o autor acabar a história a tempo?! Pois não acabou.

Foi mau meus senhores, muito mau. O potencial estava todo ali e foi total e absolutamente desperdiçado.

Posto isto, só tenho a informar o Sr. Ryu Murakami que me sinto defraudada e que não será tão cedo que voltarei a pegar num livro da sua autoria.

Agora deixem-me lá voltar ao meu querido Stephen King para recuperar o fôlego destas últimas banhadas literárias.

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